É onde a ideia de chaves, armários, gavetas, cofres e tudo que possa esconder, está banida. A revelação de cada canto é imediata e desdobra-se para longe, para uma coleção de lembranças, espaços e sonhos, onde tudo pode ser objeto e abrigo. Nada há para esconder ou arrumar, tudo está sem teto. A minha casa, cresce com as árvores e junto com ela, meus devaneios para ocupá-la. Uma casa infinita, sem paredes, apenas a ideia de quartos pouco desenhados transcendendo a geometria. As janelas, são do tamanho do meu olhar para onde estendo os meus domínios. A Casa Aberta e seus habitantes são feitos de terra, água, fogo, ar, gravidade e de mim. Aceito viver no espaço poético destes seres que têm a forma dos seus ninhos, simples e repousantes como o útero de mãe. Se são nocivos? Não sei. Mas quero sentir-me entre eles, pois a Casa, a minha, tem o cheio do vento nas árvores e nas plumas leves, e além do mais tenho todo céu sobre mim. Este lugar anônimo, onde conheço todos os nomes e posso pronunciá-los com carinho e intimidade. Para construir a minha casa é preciso um olhar, um sentir e, mais, desejo.